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Debate eletrizante em Campinas

ImageNa sexta feira 09/12, debaixo de uma chuva torrencial, tivemos em Campinas/SP um debate eletrizante após a exibição do documentário na Mostra de Curtas, promovida pelo MIS da cidade.

A presença do professor Sebastião Amorim e seus alunos, criadores do vídeo “Tempestade em copo d’agua”, acalentou o debate, que durou três horas e meia!!! O vídeo  ficou famoso ao se espalhar na internet como uma contraposição ao vídeo do Movimento Gota d’agua, assistido mais de 3 milhões de vezes. O vídeo dos atores foi fundamental para abrir e disseminar a discussão de Belo Monte e teve grande mérito ao reunir mais de 1 milhão e 300 mil  assinaturas pedindo a interrupção da hidrelétrica. 

Também estiveram presentes na mesa de debate o professor da Unicamp, Ademar Ribeiro Romeiro,  que tem experiência em pesquisa concentrada na área de Economias Agrária e dos Recursos Naturais, atuando principalmente com meio ambiente; Andre D’ Elia, diretor do documentário ” Belo Monte- anuncio de uma guerra”, que esta em finalização e acaba de captar 130 mil reais através de financiamento colaborativo, alem do produtor de “À Margem do Xingu”, Rafael Salazar.
O debate, que aconteceu o tempo todo a com sala lotada, tocou em questões como eficiência energética, financiamento do empreendimento, destinação da energia produzida, direitos indígenas, impactos socioambientais e o engajamento da população com o tema foram discutidas.  

Normalmente, o público dos debates tem opiniões e argumentos contrários a hidrelétrica do rio Xingu. Contar com um participante na mesa e pessoas na plateia que defendem a construção de Belo Monte foi enriquecedor e, como era de se esperar, gerou controvérsias. Mas Belo Monte, desde o início, é um projeto que se caracteriza por suas controvérsias inerentes. 
Os dados apresentados nos vídeos virais e no documentário são um ponto sempre questionável, já que existem os números oficiais e extra-oficiais. Até mesmo os estudos de impacto ambiental, como o EIA-RIMA, tem sua legitimidade questionada. Daí surgiu, por exemplo, o Painel de Especialistas, um grupo interdisciplinar de professores e pesquisadores, de diversas partes do país, que se dedicaram a estudar o ecossistema da região. 
Os números servem para criar argumentos “lógicos” que se pretendem irrefutáveis. Porém, há um mundo que os dados não dão conta de englobar: a face humana e o direito a diversidade cultural que está em jogo com a construção da hidrelétrica de Belo Monte.

André D’Elia, que há dois anos pesquisa o tema, além de compartilhar um pouco de sua experiência com os indígenas,  questinou a veracidade dos dados apresentados no vídeo “Tempestade em copo d’agua”. “Na conta de quanto será o preço do kW da energia produzida pelo Xingu não está computado o valor do linhão, a linha de transmissão que traria a energia até o sudeste”, afirma o diretor do próximo filme sobre Belo Monte, previsto para ser lançado em janeiro.

O professor Ademar Romeiro enfatizou em sua fala os pontos problemáticos do projeto e apontou algumas melhorias que deveriam ser feitas. Por outro lado, é sabido que há 30 anos o projeto tramita e agora, quando os canteiros de obra começam a remexer a terra, uma mudança no corpo do projeto parece irreal. 
O professor Amorim, por sua vez, tocou no financiamento da obra defendendo que seja feito via BNDES- ou seja, sem capital estrangeiro- e chamou atenção para a necessidade do “povo brasileiro” se unir e cobrar que o governo não tome suas decisões deixando de fora a opinião do povo.          Rafael Salazar, produtor do “A Margem do Xingu”, que recentemente esteve em Altamira lançando o documentario ( video da estreia http://vimeo.com/33718095) abordou as diferenças culturais ao contar a relação com o tempo que os diferentes atores dessa historia têm ” Os indios pensam a longo prazo, pensam nas gerações futuras. Os ribeirinhos pensam no tempo do rio, nos meses da cheia e da seca do rio. E nòs temos tanta pressa…pensamos em tudo para ontem”. 

Perguntas como “que tipo de desenvolvimento queremos ?”, “energia para que/quem ?”, e ” que desequilibrios e desrespeitos socioambientais essa obra acarreta?” ficam ressoando em quem se propõem a debater Belo Monte.

 

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