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Os fatos como eles são

No dia 14 de julho foi publicada uma notícia no Portal Terra com o título “Aos poucos, público desise do último documentário”.

http://cinema.terra.com.br/noticias/0,,OI5240987-EI1176,00-Paulinia+aos+poucos+publico+desiste+do+ultimo+documentario.html

A notícia motivou a seguinte carta:

Carta aberta dirigida ao Portal Terra

Hoje chegou até mim a notícia publicada por este Portal no dia 14 de julho, que se refere ao “debandamento do público” (segundo palavras da jornalista Juliana Ranciaro) na estreia do nosso documentário no 2011 Festival de Cinema de Paulínia.

Primeiramente, me apresento: sou Damià Puig, diretor de “À Margem do Xingu- vozes não consideradas”, um documentário que trata de questões que decorrerão da construção da hidrelétrica Belo Monte.

O documentário é fruto de um trabalho coletivo (equipe formada por 28 profissionais brasileiros, 15 espanhóis, 01 inglês, 01 belga e 01 francês) que durou quase dois anos. As motivações da equipe para tratar de um tema tão complexo, e misterioso, foram muitas. O projeto no qual o trabalho nasceu com o objetivo de criar diferentes documentários que questionem o modelo de desenvolvimento do mundo atual.

Pessoalmente, me pareceu importante levar para Europa essa temática, já que grande parte da energia produzida por Belo Monte será utilizada para fundir alumínio que abastecerá, entre outras, a minha terra. Além disso, me pareceu oportuno deflagrar o custo humano e ambiental dessa energia. Ao longo desses quase dois anos, contamos com o assessoramento de eminências no assunto, que nos ajudaram a formar uma opinião e tomar uma posição clara sobre o tema e seus desdobramentos.

Feita as considerações, vou diretamente ao ponto.

Quero dizer que não há nada que a nossa equipe aceite de tão bom grado quanto as críticas – estas, quando bem feitas, nos ajudam a melhorar e fazem com que nossos futuros trabalhos sejam mais sólidos e consistentes. Durante toda a sua produção, nosso trabalho passou pelo julgamento de muita gente e graças à visão de todas elas fomos capazes de melhorar a cada dia.

De bom grado, acolhemos integralmente algumas críticas e nos alegramos com os elogios que recebemos nesses dias do Festival, pois, reitero, é disso que o nosso trabalho se alimenta. O que nos negamos decididamente a fazer é aceitar inverdades, como aquela veiculada na referida notícia publicada pelo Portal Terra.

O mais irônico é que o referido “abandono do público” acabou sendo desacreditado com o resultado do Festival. No dia seguinte ao alarde do “jornalismo veraz” da repórter Juliana Ranciaro, ganhamos o prêmio do Júri Popular. A premiação é, pode-se dizer, o descrédito do (tendencioso) título da reportagem: “Aos poucos, público desiste do último documentário”. É… Como evidencia o nome, “júri popular” é constituído por nada mais que o público, o povo. Como explicar que um “público que abandona” o documentário tenha votado e concedido a este mesmo trabalho o prêmio de Melhor Documentário?

O título assim como o conteúdo da mencionada notícia acabam ainda mais distanciados da realidade quando os confrontamos com o fato de que (devido à lotação da sala e muitos terem sido impedidos de entrar) a pedidos haverá outras exibições na região de Paulínia, que ocorrerão, seguramente, até o fim do mês.

[Forneceremos informações acerca das datas e locais dessas próximas exibições, se for de interesse deste Portal.]

Outro ponto que não podemos deixar de apontar são os comentários sexistas, vexatórios e humilhantes  dirigidos à Juma, a indígena que participou do documentário e esteve presente no Festival, assim como os comentários xenófobos contra a comunidade indígena.

Entendemos que um site de notícias,  como é o Portal Terra, é uma excelente ferramenta de informação e debate. Porém, quando uma ferramenta de debate permite a apologia a desrespeitos e desconsideração da diversidade de forma tão descompromissada,  acreditamos ter diante de nós uma situação preocupante!

 

Por fim, informo que nossa equipe de comunicação começou a trabalhar para que a referida notícia, que consideramos um “atropello a la verdad”, seja amplamente divulgada juntamente com esta carta em todos os espaços de comunicação que se prestam à difusão da verdade. Qualquer retificação por parte do Portal também será por nós publicada.

Continuaremos a ‘seguir’ as notícias produzidas por este Portal, assim como continuaremos a divulgar as vozes não consideradas e a denunciar e repudiar  as vozes das inverdades, dos preconceitos e dos desrespeitos às diversidades.

Agradecemos a atenção e o espaço concedido por este Portal.

Três links dirigidos aos leitores desta carta:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI247824-15223,00.html  (reportagem coerente sobre a atualidade do tema)

 

http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2011/07/14/documentario-contra-a-construcao-de-belo-monte-conquista-publico-de-paulinia/ (visão verdadeira e verossímil sobre o que o nosso documentário significou para o público.)

 

http://vimeo.com/24291881 (nosso  teaser)

 

Um abraço cordial em nome de toda a equipe.

Damià Puig

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  1. Pingback: À Margem do Xingu – Os fatos como eles são « PONTO DE PAUTA para o livre debate. - July 21, 2011

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